
Estudos mostram que a curva de contágio no Brasil ainda avança – e de forma acelerada – e que nós somos o único país que, a partir do 50º dia de epidemia, manteve a curva de aceleração da Covid-19.
Os números falam por si. Dia a dia, os novos casos de Covid vão aumentando num ritmo crescente e é nesse cenário que muitas cidades estão reabrindo lojas, locais públicos, diferentemente do que aconteceu em outros países.
Os números falam por si. Dia a dia, os novos casos de Covid vão aumentando num ritmo crescente e é nesse cenário que muitas cidades estão reabrindo lojas, locais públicos, diferentemente do que aconteceu em outros países.
Nesta quinta (4), faz 100 dias do registro do primeiro caso de Covid-19 no Brasil. Mas o alerta do crescimento da doença por aqui já aparecia bem antes disso.
Uma outra pesquisa, da USP de Ribeirão Preto, mostrou que o Brasil foi o único país que, a partir do 50º dia de epidemia, manteve a curva de aceleração da Covid-19. Nos outros países , houve desaceleração.
“A partir do 50º dia da epidemia, comparada com o 50º dia de epidemia de todos esses países, o Brasil está colocando o pé no acelerador de casos, enquanto esses países já estavam colocando o pé no freio dos casos”, explica Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).
Os pesquisadores também compararam a situação do Brasil com a de outros países no momento em que decidiram afrouxar as medidas de isolamento social e reabrir gradualmente a economia. O estudo mostra que muitos estavam numa situação melhor do que a que enfrentamos agora.
Um dos critérios levados em conta para o relaxamento é a capacidade do sistema de saúde de atender novos casos e a velocidade de reprodução do vírus, que é o número de pessoas que são infectadas, em média, por alguém doente.
Os pesquisadores dizem que, entre os dez países com mais casos no mundo, com exceção da Rússia, todos estavam com o índice de transmissão abaixo de 1, o que significa que a epidemia está mais controlada. O Brasil até conseguiu uma redução com as medidas de isolamento, mas ainda tem índice de transmissão acima de 1: 1,4.
“O Brasil hoje ele é o epicentro, é onde tem as maiores taxas de reprodução, de transmissibilidade. A gente ainda está numa parte inicial da curva, bem longe ainda de chegar a um pico, como os demais países que já começaram a flexibilização”, destaca Marcelo Fernandes.
