O bloqueio de 30% da verba destinada às universidades federais poderá afetar desde as bolsas de estudos aos alunos a atendimentos prestados à população, por meio de hospitais e clínicas. Em Minas, o contingenciamento em algumas instituições pode chegar a mais de R$ 20 milhões.
A medida, anunciada na última terça-feira pelo Ministério da Educação (MEC), preocupa representantes das unidades de ensino superior. Reitores reforçam que cortes em investimentos têm ocorrido desde 2013.
A redução nos recursos pode dificultar o pagamento de despesas rotineiras como água e energia. Algumas instituições já começaram a adotar ações para não ficar no vermelho. Pró-reitor de Planejamento, Orçamento e Desenvolvimento Institucional da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), Lucas Cezar Mendonça explica que houve restrição no café aos servidores, viagens administrativas, manutenção de imóveis e até papel toalha nos banheiros.
“Outras ações estão sendo analisadas, observando o menor comprometimento possível das atividades e o maior compromisso com a sociedade na eficiência dos serviços e da formação do aluno”, explica Mendonça, que não descarta, no futuro, a interferência nos serviços de odontologia e fisioterapia oferecidos aos moradores da região.
A Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) também está preocupada. Os impactos vão ocorrer diretamente nas atividades de suporte ao ensino, pesquisa e extensão. O contingenciamento significará uma redução de R$ 21 milhões no orçamento. “Caso o bloqueio persista, as consequências serão sentidas a partir do segundo semestre”, informou a instituição.
Outro temor é com relação aos alunos de baixa renda, diz o reitor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Valder Steffen Júnior. “Caso os cortes atinjam a assistência estudantil, as consequências de caráter social sobre nossos estudantes com vulnerabilidade econômica será tremenda”. Para ele, alguns poderão ser impedidos de prosseguir com a graduação.
“Balbúrdia”
Em um primeiro momento, após anunciar o corte em três universidades – a UnB, em Brasília, a UFF, em Niterói (RJ), e a UFBA, na Bahia –, o ministro da Educação Abraham Weintraub justificou a medida devido a “eventos políticos”, “manifestações partidárias” e “festas inadequadas” ao ambiente acadêmico. Todas as universidades e institutos federais procurados pelo Hoje em Dia, no entanto, reforçaram que não disponibilizavam verba para festividades ou protestos.
Indignados, alguns grupos estão se mobilizando para impedir que o bloqueio provoque prejuízos na área da pesquisa. Coordenador do projeto Pensar a Educação, Pensar o Brasil, que promove ações para divulgar o conhecimento científico, Luciano Mendes diz que bolsas de iniciação c
