Agencia: Metrópoles

Matéria: Victor Zueira
O Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) decidiu rever os pagamentos de aposentadorias por invalidez e auxílio-doença distribuídos em 2019. A medida, segundo o órgão, objetiva identificar irregularidades nos benefícios concedidos em todo o país. Em decorrência do pente-fino, 806 mil pessoas que estavam com processos paralisados há mais de 45 dias foram impossibilitadas de sacar o dinheiro dos seguros.
A força-tarefa, no entanto, atingiu também beneficiários que garantem estar em dia e regularizados junto à Previdência Social. No Distrito Federal, 336 mil cidadãos dependem do benefício pago pelo órgão. O INSS não informou quantos brasilienses tiveram o fornecimento interrompido.
Um dos segurados prejudicados foi Lee Brandon (foto em destaque), de 26 anos. É com um salário mínimo que recebe do instituto que o jovem consegue financiar seus gastos com alimentação, luz, água e aluguel da casa onde mora, no Sol Nascente, em Ceilândia. Diagnosticado ainda criança com disostose cleidocraniana e esclerose lateral amiotrófica, o rapaz foi impossibilitado de trabalhar, pois as doenças genéticas não o permitem fazer esforço. Em decorrência dos problemas de saúde, aposentou-se por invalidez.
O pouco dinheiro que ganhava da aposentadoria possibilitava seu sustento. Em junho deste ano, quando tentou sacar o valor, notou que a quantia constava em sua conta, mas não conseguia retirar o seguro. “Achei que era um problema do banco. No primeiro dia, não consegui sacar. Voltei no dia seguinte e no outro, e continuava do mesmo jeito, bloqueado. Fiz duas provas de vida no banco e nada”, relata.
Sem notificação
De acordo com ele, o bloqueio por suspeita de fraude ocorreu sem que ele fosse notificado ou avisado previamente. Só quando ligou para o telefone 135, da Previdência Social, que descobriu e tomou conhecimento do erro no sistema. Lee foi uma das 806 mil pessoas que tiveram o benefício bloqueado.

Para tentar reaver o direito, recorreu a postos da Previdência Social em busca de explicações, mas sem sucesso. Nas unidades, segundo conta, servidores não explicaram o que era preciso ser feito para realizar o desbloqueio do dinheiro e repetiram o mesmo discurso: “O anúncio [dos bloqueios por suspeita de fraude] foi nacionalmente transmitido em todos os canais e emissoras de televisão: se você não viu, nada podemos fazer aqui”.
Desinformado e desesperado, procurou respostas em outro órgão: o Centro de Referência de Assistência Social (Cras). “No Cras, me disseram ser preciso realizar um cadastro e me deram até o dia 30 deste mês para fazer, mas no site diz que as novas vagas serão abertas em 1º de agosto, depois do prazo que me forneceram”, explica.
