Fugiu de ser uma literatura teológica para ser um livro de militância política.
Fonte: Gospel Prime

Não, não existe a tal “religião do bolsonarismo”, como diz Yago Martins em seu novo livro. Aliás, o livro não tem nada de “ensaio teológico”, é ataque bruto e altamente ofensivo contra os cristãos que manifestaram apoio ao presidente Jair Bolsonaro. Já aos que afirmam que sou partidário, defensor do atual presidente, informo que nada sabem sobre a visão cristã na qual me oriento. Dito isso, vamos ao que interessa: os evangélicos têm o direito de apoiar ou criticar o atual presidente.
Falo caros leitores, sobre um texto publicado por Yago Martins na Amazon e que classifica gestos de apoio, orações e palavras proféticas — o que traz sim certo exagero! — como ato de “devoção de uma fé”. Martins talvez não tenha experiência política suficiente para interpretar esses atos sob uma ótica de puro “crentês”, como o de chamar qualquer um de “profeta”, ou o uso do “varão” para se referir a um homem de Deus, etc. Quando digo que ele talvez não tenha experiência política, não estou tentando desqualificá-lo, pelo contrário, estou evidenciando algo que ele mesmo admitiu recentemente em um podcast sobre “idolatria política”.
O problema no texto publicado por Yago Martins já começa pela capa, pois ele usa um termo pejorativo contra quem apoia o presidente Jair Bolsonaro, que é o rótulo de “bolsonarista”. Pior ainda quando tenta associá-los ao culto de uma divindade, como se manifestações de apoio significasse automaticamente o ingresso em uma seita destrutiva. Tudo fica ainda pior quando ele decide citar nominalmente os pastores.
Deixe-me pontuar que haveria sim certo valor na obra de Martins se ele não tivesse partido para a ofensa e o ataque pessoal. Fugiu de ser uma literatura teológica para ser um livro de militância política, recheado de provocações e agressões. Pode ser apenas estilo de linguagem, não sei dizer, mas tive a impressão de que seu objetivo seria forçar os eleitores de Bolsonaro a abandonarem o debate público, apesar de afirmar que não tem a intenção de convencer qualquer leitor a mudar de voto.
Isso fica evidenciado quando escreve: “Esta obra tem objetivos humildes: alertar os cristãos sobre o perigo teológico do apoio incondicional a uma figura política, escancarar as profanações espirituais do bolsonarimo e deixar um registro literário do projeto de poder bolsonarista”.
Antes que prossiga, os leitores — católicos, evangélicos, agnósticos, ateus etc. — conhecem a minha opinião: não acho que os políticos devam se valer da religião para angariar apoio eleitoral. Ideias, valores, projetos de governo, respeito à Constituição, isso sim é importante para o futuro de uma nação. Mas também não acredito que o político deva se fantasiar de um personagem, abandonar sua originalidade ou se esconder atrás de uma personalidade construída por marqueteiros.
Ofensas
No entanto, o autor vocifera contra o atual presidente da República como sendo uma figura do “anticristo”, uma encarnação do mal. “Ele assumiu uma postura de anticristo”, escreve literalmente. Chega a afirmar que “Bolsonaro não é cristão”, e pontua: “Bolsonaro não ama a Cristo”. Me pergunto qual o nível de intimidade que Yago Martins tem com o presidente para afirmar que ele “não ama a Cristo”?

