Politica Regional

Após presenciar detenção sem mandado, Bartô deve ser expulso do Novo

O deputado estadual mineiro Bernardo Bartolomeo, o Bartô, do Novo, deve ser retirado do partido. Envolto em polêmicas internas desde o início do mandato, há quase dois anos e meio, o parlamentar presenciou, no sábado (1°/5), a detenção de um homem suspeito de atirar ovos em manifestantes bolsonaristas durante ato em Belo Horizonte. Consultados pelo Estado de Minas, interlocutores ligados à legenda creem a expulsão deve ocorrer. Sob reservas, há quem diga que essa probabilidade é muito alta.

Bartô participou do protesto em que apoiadores de Jair Bolsonaro (sem partido) defenderam atos antidemocráticos sob o lema “eu autorizo”. Ao lado de policiais militares, o parlamentar subiu à porta do apartamento de Filipe da Fonseca Cezario, o suspeito do ataque de ovos.
No vídeo que mostra o momento da prisão, é possível ver o acusado e seus amigos solicitarem — sem serem atendidos — mandado justificando a ação e a suposta gravação citada pelos agentes como justificativa para o flagrante. O parlamentar do Novo acompanhou a operação do corredor do 11° andar do prédio em que Filipe reside, na Avenida Afonso Pena, no Centro de BH.

Delicada, a situação de Bartô é agravada por causa da “ficha corrida”. Em 2019, ofendeu, em um grupo interno de WhatsApp, a vereadora belo-horizontina Marcela Trópia, então assessora do deputado Guilherme da Cunha na Assembleia Legislativa. À época, ele recebeu advertência pública da agremiação.

Nos prints das conversas, há diversos ataques à correligionária. Ele chega a acusá-la de ter “furado a camisinha”.

Marcela Trópia diz que a expulsão do deputado é, mesmo, o cenário mais provável. “É questão de tempo (a expulsão). Ele não é réu primário e já teve uma condenação no passado. Os fatos, agora, são muito graves”.

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Guilherme da Cunha tem opinião semelhante quanto à gravidade da conduta do colega.
“Foi inadequada a participação na manifestação — e contrária às diretrizes partidárias, sobre a (não) participação em atos antidemocráticos. A presença dele no momento da condução do cidadão é algo que demanda maiores explicações. Não existe a figura jurídica do ajudante de testemunha”, diz em menção à justificativa dada pelo correligionário, que alegou ter subido ao andar de Filipe para “assessorar” uma testemunha do suposto ataque.

Bartô abre fogo e pode ver expulsão com ‘bons olhos’

Ao anunciar a abertura de procedimento contra Bartô, a Executiva Nacional do Novo não mediu palavras. A presença dele na ação policial foi classificada como “vergonhosa” e “deplorável”.

“A atitude de Bartô, deputado estadual de Minas Gerais, é vergonhosa e completamente incompatível com a de um servidor público, especialmente do Novo, partido que foi fundado para transformar o Brasil em um país admirável. O Diretório Nacional já tomou as medidas cabíveis junto à Comissão de Ética Partidária para punir adequadamente este ato deplorável, que desrespeita o Estado de Direito, a Constituição e o Estatuto do Novo”, lê-se no comunicado.
Procurado pela reportagem nesta sexta, Bartô declarou, por meio de sua assessoria, ainda não ter sido comunicado oficialmente pelo partido sobre a abertura de investigação. Nessa quinta, ele abriu fogo contra o Novo e alegou que a legenda tem se alinhado a forças de esquerda, como Ciro Gomes, do PDT.
 “Causa-me estranheza um partido que se diz prezar pelo Estado Democrático de Direito sequer ouvir o outro lado antes de fazer julgamentos, inclusive, baseados em notícias midiáticas”, argumenta. “Porém, infelizmente, isso não me surpreende já que o Novo, cada vez mais, se aproxima da esquerda e persegue quem é da direita. Exemplo é o caso da aproximação do Amoedo com o Ciro e nada é feito”, continuou mencionando João Amoêdo, ex-presidente nacional do Novo e representante da agremiação na última corrida rumo ao Palácio do Planalto.

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Jornalista Dom Lele Botelho

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