Idosa que decidiu usar sua habilidade para ajudar pessoas a enfrentarem a pandemia em Jaú (SP) acabou infectada pelo novo coronavírus. Ela já tinha planos para uma nova rotina após a vacina, diz o filho.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/5/u/wkXsQxT8SSBpzcVAnYpw/jau-masc3.jpg)
A idosa que promoveu uma ação de solidariedade em Jaú (SP), costurando máscaras e as oferecendo de graça em um varal montado em frente ao portão de sua casa, em maio do ano passado, entrou na última terça-feira (26) para as trágicas estatísticas de mortes provocadas pela Covid-19.
A costureira Maria Ruiz Vertuan, de 72 anos, que começou a costurar máscaras para ocupar seu dia durante o isolamento, minimizar os efeitos de uma depressão e ainda ajudar as pessoas que não tinham condições de comprar o item de proteção necessário durante a pandemia, não teve tempo de desfrutar de uma novidade com a qual ela já vinha contando, a vacina.
Segundo Carlos Roberto Vertuan, 46 anos, filho da Maria, a mãe teve uma evolução rápida e violenta da doença, morrendo em menos de uma semana após apresentar os primeiros, e ainda leves, sintomas.
Segundo ele, a mãe reclamou de um mal-estar na quarta-feira (20) e foi levada a uma unidade de saúde. No sábado (23), já com falta de ar, voltou ao hospital e ficou internada com respirador.
Na segunda-feira (25), Maria foi para a UTI, com entubação. No dia seguinte, a família recebeu a ligação do hospital com o anúncio da sua morte. Ela foi enterrada no mesmo dia, sem velório, no cemitério municipal de Pederneiras, onde tinha parentes.
“Desde que começou essa pandemia minha mãe ficava só com a gente, eu, minha esposa e minha filha, que moramos ao lado. Ela não saía para quase nada, apenas para ir ao médico, a uma farmácia. Não acreditamos que aconteceu com a gente”, diz o filho.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/z/B/OmDMhET4CbCqcT2DfWFA/jau-maasc-tiago-dos-santos-silva.jpg)
Solidariedade contra a depressão
Ao G1 em maio do ano passado, Maria explicou que a ideia de fazer as máscaras e distribuir para pessoas carentes surgiu a partir do momento em que o rigoroso isolamento social exigido pela pandemia afetou o trabalho da mulher que desde os 12 anos vivia da costura, mas que viu os pedidos praticamente sumirem.
Fonte: G1
