Causador de bronquiolite, VSR provoca 54% das síndromes respiratórias agudas graves em Minas Gerais e já matou 11 pessoas. Crianças de até 6 meses e idosos são os mais afetados
É o vírus sincicial, que já responde por 54,4% das síndromes respiratórias agudas graves (SRAG) em Minas Gerais, em 2019, se configurando como o mais importante do período. Sem vacina específica, a prevenção inclui cuidados básicos de higiene e imunizações direcionadas a outras enfermidades, mas que ajudam ainda a evitar doenças associadas e complicadoras, caso da pneumonia.
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é um dos principais agentes das infecções que acometem o sistema respiratório de crianças que estão sendo amamentadas e as menores de 2 anos de idade, sendo responsável por até 75% das bronquiolites e 40% das pneumonias durante os períodos de sazonalidade. A doença ocorre tanto no hemisfério norte quanto no sul.
De acordo com o último boletim da Secretaria de Estado de Saúde (SES), dos 410 casos de síndromes respiratórias agudas graves notificados, 169 foram confirmados por influenza, 140 deles pelo temido H1N1. E 241 deram positivo para outros vírus respiratórios – desses, 223 eram sincicial. As SRAG mataram até o momento 49 pessoas, sendo 34 por influenza – 32 deles por H1N1 – e 15 por outros vírus. Desses 15, o VSR foi responsável por 11.
Embora grave, é a primeira vez que a pesquisa por sincicial é computada, sendo possível conhecer a proporção de casos em que ele se associa a hospitalização por SRAG no estado.
Mutações Rápidas
O médico faz um alerta. Diferentemente de doenças como a dengue e da própria Influenza, cuja nova cepagem aparece de tempos em tempos ou, pelo menos, entre um ano e outro, no VSR pode haver mais de uma variação do vírus durante o mesmo período de incidência, por causa de sua capacidade muito rápida de sofrer mutações – nesse caso, em questão de dias ou meses. Essa, aliás, é uma característica que dificulta a obtenção de uma vacina, ainda em processo de pesquisa. Documento da Sociedade Brasileira de Pediatria mostra que a maioria das crianças é infectada no primeiro ano de vida e, virtualmente, todas serão expostas a ele até o segundo ano de idade. Questões genéticas, como síndrome de Down, também abrem portas para o VSR. Os casos mais graves ocorrem em filhos de fumantes, que apresentam risco maior de complicações respiratórias. Quem tem asma também costuma desenvolver formas mais graves.
Tratamento
A boa notícia é que há tratamento, com o antiviral Ribavirina, imunoglobulina e alguns anticorpos usados em situações específicas. “Não são tratamentos convencionais, mas para situações mais graves”, diz. A contaminação é por vias aéreas e pelas mãos das pessoas (veja arte).
As secreções contaminam as mãos e ficam no ambiente por longo período. Os sintomas aparecem entre quatro a cinco dias depois da infecção. Outra característica letal da doença é o fato de ela ser uma infecção viral passível de complicação por infecção bacteriana.
