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Cidades do Interior devem tomar cuidados com a febre maculosa

Written by adminab
Pacientes apresentam os sintomas da doença, mas ainda não há confirmação do diagnóstico, que depende de conclusão da análise laboratorial

A pasta de saúde ressaltou que menos de 5% dos casos notificados são confirmados, com base no levantamento histórico da doença na cidade. Nos últimos 12 anos, segundo a secretaria, foram notificados 494 casosde febre maculosa em moradores da capital.

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Destes, apenas 20 foram confirmados. Ainda assim, nove evoluíram para óbito. Ou seja, 45% dos infectados perderam a vida na cidade no período.

Dos 20 casos confirmados, em só quatro a infecção ocorreu em Belo Horizonte, ainda de acordo com a saúde municipal. Nos demais, a contaminação foi em outro município ou não foi possível detectar o local de infecção.

O órgão acompanha e monitora os casos. A pasta, inclusive, já emitiu alerta aos profissionais do setor para que fiquem de sobreaviso para atender pacientes com sintomas da doença.

O início do tratamento para a febre maculosa é determinante para a cura da doença. Se há suspeita, o combate deve ser iniciado imediatamente, com uso de antibióticos, coleta de sangue para exame e notificação do caso para investigação.

O quadro é mais crítico em Contagem, na Grande BH, onde 21 casos prováveis (entre confirmados e suspeitos) já foram notificados. O surto da doença foi registrado no Bairro Nacional entre moradores de uma área próxima a um córrego. Até ontem, 15 pessoas apresentavam sintomas da doença.

Conforme o balanço da Secretaria Municipal de Saúde do município, divulgado nesta terça-feira (4), entre esses 21 casos, quatro são de óbitos. Dois já foram confirmados como resultado da doença. Há 19 exames em análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed).

No bairro, 128 pessoas tiveram contato com a área considerada foco da doença. De acordo com a prefeitura, o grupo invadiu, há cerca de 30 dias, um terreno particular que estava murado na Rua 1º de Maio.

O local tem hoje 35 casas e nos fundos passa o Córrego Água Funda, um afluente do Córrego Gangorra, que por sua vez é ligado ao Sarandi, que deságua na Pampulha. Além dos animais domésticos, como porcos, bois, cavalos e aves, a mata onde está o curso d’água concentra ainda uma grande quantidade de capivaras, um dos hospedeiros do carrapato-estrela. A prefeitura não sabe quantos animais há no lugar.

Nessa segunda-feira (3), uma unidade de saúde foi aberta para atender todas as pessoas que tiveram contato com os carrapatos ao cercar o terreno ocupado. Esses moradores foram examinados por dois infectologistas.

A prefeitura também recolheu cavalos sem dono na região. Até esta manhã, nove animais haviam sido localizados. Eles receberam banho de carrapaticida.

O veneno contra carrapatos também é aplicado na região e casas próximas. O terreno vai ser arado. Máquinas vão percorrer a área revirando a terra e despejando oito toneladas de cal.

A doença

A febre maculosa é transmitida pelo aracnídeo carrapato-estrela (Amblyomma cajennense) infectado por uma bactéria. A doença é repassada quando o animal fica pelo menos quatro horas fixado na pele humana.

Outros animais de grande porte, como cavalos, capivaras, bois, cães, aves e roedores também podem ser infectados. A enfermidade tem cura, desde que o tratamento, via antibióticos, seja feito nos primeiros três dias da contaminação.Continua depois da publicidade

A demora no diagnóstico pode causar complicações. São elas: lesões vasculares graves e comprometimento do sistema nervoso central, dos rins e pulmões. Se não for tratada corretamente, o índice de mortes chega a faixa de quatro e cada cinco pessoas.


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