Incerteza em relação à votação preocupa base governista; Oposição promete obstrução.
A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados marcou para a manhã desta quarta-feira (17) a votação da emenda à Constituição quereforma a Previdênciado País. O colegiado só conseguiu agendar a votação para as 10h porque parlamentares favoráveis ao texto abriram mão de falar depois de 9 das 12 horas do debate. A sessão, iniciada às 11h17, terminou 23h29 com incerteza sobre o quórum para a sessão desta quarta.
Insatisfeitos com a articulação política, parlamentares do centrão ignoraram que o calendário previsto para a reforma já está atrasado e planejam antecipar o retorno às suas bases eleitorais para o feriado de Páscoa. Há ainda preocupação entre os governistas em relação à obstrução orquestrada pela oposição.
Líder da oposição, o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) afirma que a base aliada já está informada de que haverá esforços para impedir a votação nesta quarta. A batalha, segundo ele, também será para alterar o projeto. “O governo já não consegue aprovar a proposta da forma como ela veio”, diz.
O bloco contrário à reforma executou parte da estratégia de vencer pelo cansaço na terça (16). Foram os opositores ao texto que mais atuaram na audiência. Cálculos do presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL-PR), apontam que 55 deputados contrários ao texto falaram no plenário. Favoráveis foram menos da metade, 19. Também falaram 14 líderes partidários.
A discussão entre os que não concordam com a PEC entregue em mãos pelo presidente Jair Bolsonaro à Câmara dos Deputados girou em torno de desavenças ideológicas e críticas a pontos como mudanças na aposentadoria rural e no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e possíveis brechas para retirada de direitos no futuro.
