
Um dos casos envolve diretamente o Ministro Marcelo Álvaro Antonio, o presidente Jair Bolsonaro em respeito ao Deputado e Ministro no qual o considera com uma amigo, espera a sua carta de renúncia.
RIO – A Polícia Federal (PF) indiciou o ministro do Turismo , Marcelo Álvaro Antônio (PSL), sobre o uso de candidaturas-laranja no PSL em Minas Gerais. De acordo com uma fonte ouvida pelo GLOBO, a PF indiciou o ministro por associação criminosa, apropriação indébita e falsidade ideológica eleitoral. Outras dez pessoas foram indiciadas, entre elas o assessor especial do ministério, preso em junho.
Ex-presidente estadual do diretório de Minas do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, Álvaro Antônio é investigado por supostamente ter envolvimento com candidaturas de fachada para desviar dinheiro de fundo eleitoral. Agora, com conclusão da PF de que há indícios de crimes, o relatório será enviado ao Ministério Público, que vai decidir se apresenta ou não denúncia à Justiça pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa.
O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro decidiu “aguardar o desenrolar do processo” e mantê-lo no cargo .
Entenda : As suspeitas de candidaturas laranjas do PSL, investigadas em ação da Polícia Federal
Duas ações da PF já foram deflagradas para investigar o caso. Em abril, a primeira fase da operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão em cinco cidades de MG, incluindo a sede da legenda em Belo Horizonte . A segunda fase aconteceu em junho e cumpriu três mandados de prisão, tendo como alvo principal o assessor especial de Álvaro Antônio, Mateus Von Rondon .
Em nota, o Ministério do Turismo afirmou que Marcelo Álvaro não foi notificado oficialmente da decisão, mas disse que ele ”reafirma sua confiança na Justiça e reforça sua convicção de que a verdade prevalecerá e sua inocência será comprovada”. O texto afirma que a investigação “teve como base uma campanha difamatória e mentirosa” e ressalta que o ministro “não cometeu qualquer irregularidade na campanha eleitoral de 2018”.
Confira quem foi indiciado pela PF:
- Marcelo Álvaro Antônio – ministro
- Mateus Von Rondon – assessor especial do ministro, preso em junho deste ano
- Irineu Inacio da Silva – deputado estadual em Minas pelo PSL – conhecido como Professor Irineu
- Lilian Bernardino – suspeita de ser candidata-laranja
- Debora Gomes – suspeita de ser candidata-laranja
- Camila Fernandes – suspeita de ser candidata-laranja
- Naftali Tamar – suspeita de ser candidata-laranja
- Marcelo Raid Soares
- Reginaldo Donizeti Soares – irmão de Roberto Silva Soares, sócio de duas empresas que prestaram serviço eleitorais às candidatas investigadas
- Roberto Silva Soares – Assessor do ministro, preso em em junho deste ano
- Haissander de Paula – ex-assessor do ministro quando ele era deputado federal, preso em junho deste ano
Entenda o caso
Os casos sobre os quais se debruçam os agentes envolvem candidaturas femininas que teriam sido utilizadas para desviar recursos dos fundos eleitoral e partidário nas eleições do ano passado. No diretório mineiro, o presidente local do partido durante o período em que as irregularidades teriam acontecido era o deputado federal Marcelo Álvaro Antonio, hoje ministro do Turismo.Na esfera nacional, quem representava a sigla era Gustavo Bebianno, ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência e antigo homem-forte de Bolsonaro. Bebianno acabou demitido após tentar amenizar a crise causada pelas denúncias, que também envolvem suspeitas de irregularidades no Ceará e em Pernambuco.
Nos dois estados, mulheres afirmam terem se candidatado pelo partido para ocupar vagas na Câmara dos Deputados em campanhas que visavam permitir o cumprimento de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros da Corte definiram em março de 2018 que 30% do dinheiro público destinado ao financiamento das campanhas deveriam ser utilizados para investimentos em candidaturas femininas. Nesse contexto, as candidaturas laranja permitiriam ao partido driblar a regra, como se ela tivesse sido regularmente atendida — o que não teria acontecido se, confirmadas as denúncias, os recursos tiverem sido desviados.
