Deputados do PSL afirmaram que o presidente Bolsonaro havia voltado atrás no contigenciamento, mas Planalto nega a informação
Na véspera de uma paralisação dos trabalhadores de educação contra cortes no orçamento das universidades federais, parlamentares da base do governo e o Palácio do Planalto soltaram informações contraditórias sobre como o governo deve agir com relação ao tema.
Mais de um deputado do partido do presidente Jair Bolsonaro afirmou, na noite desta terça-feira, que o mandatário havia telefonado para o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e ordenado que a pasta voltasse atrás no corte de cerca de 30% nos orçamentos das universidades. A informação foi confirmada pela deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e repetida até mesmo pelo líder da legenda na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO).
Pouco depois, no entanto, tanto o Ministério da Educação (MEC) quanto a Casa Civil desmentiram, por meio de nota, o que os parlamentares diziam. “Não procede a informação de que haverá cancelamento do contingenciamento no MEC. O governo está controlando as contas públicas de maneira responsável”, afirmava o texto divulgado pelo governo.
Já a pasta chefiada por Paulo Guedes divulgou outro texto: “O Ministério da Economia esclarece que não houve nenhum pedido por parte da Presidência da República para que seja revisto contingenciamento de qualquer ministério”.
oposição aproveitou as informações desencontradas para criticar novamente o governo. “Temos notícias desencontradas de que teria havido um recuo do presidente em relação a esses cortes. Ninguém sabe ao certo em que acreditar, em qual tuíte, em qual telefonema. O fato é que mesmo esse recuo é insatisfatório. Amanhã nós estaremos na rua”, afirmou a deputada Margarida Salomão (PT-MG).
Ministro convocado
Pouco antes, a Câmara havia imposto mais uma derrota ao governo e aprovado a convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, ao plenário, nesta quarta-feira (15/5).
A visita foi marcada para o mesmo dia em que ocorrem as manifestações nacionais contra os cortes de verbas para universidades públicas e institutos federais, medida que ele precisará explicar aos deputados.
