Internacional

A única maneira de fazer acordo com Trump, segundo um ex-integrante do governo Clinton

Ex-secretário do Trabalho dos EUA diz que ceder ao presidente dos EUA só o encoraja a exigir mais e aponta o que entende ser a melhor forma de enfrentá-lo

O economista e ex-secretário do Trabalho dos Estados Unidos no governo Clinton, Robert Reich, fez duras críticas aos recentes acordos firmados por instituições como a Universidade de Columbia, a União Europeia e o Japão com o presidente dos EUA, Donald Trump. Em artigo publicado nesta segunda-feira (28), ele classificou os acordos como ilusórios e alertou: “É impossível lidar com um tirano, porque um tirano nunca fica satisfeito”.

Segundo Reich, ceder às exigências de Trump não é uma solução estratégica, mas sim um erro recorrente. O economista destacou que o presidente estadunidense já demonstrou não ter compromisso com negociações anteriores.

“Trump não cumpre acordos. Ele desiste deles sempre que acha que pode fechar um melhor”, pontua. “Foi o que ele fez quando impôs tarifas ao México e ao Canadá, violando o Acordo Estados Unidos-México-Canadá, que ele mesmo elaborou e que violava o Acordo de Livre Comércio da América do Norte. É isso que ele fez e continuará a fazer com a Universidade de Columbia e qualquer outra universidade com a qual tenha relações.” 

No caso de Columbia, a universidade pagará uma multa de US$ 200 milhões ao longo de três anos para atender as alegações de Trump de que não fez o suficiente para impedir o assédio de estudantes judeus no campus. Reich também apontou riscos imediatos à autonomia universitária e cita o professor Suresh Naidu. 

Quaisquer termos onerosos com os quais a escola tenha concordado serão considerados violados diante de um protesto no campus, um programa de estudos ousado, uma discussão vazada em sala de aula ou até mesmo um artigo de opinião estudantil mordaz. Novas violações de direitos civis serão imaginadas, novas perspectivas de antiamericanismo no campus serão descobertas e os ataques continuarão”, disse o docente.

Como negociar com Trump

O ex-secretário argumenta que Trump “não tem honra, dever ou senso de responsabilidade para com ninguém além de si mesmo”, lembrando que o ex-presidente quebrou contratos com empreiteiros, credores, parceiros comerciais e demitiu subordinados mesmo após elogiá-los publicamente.

“Trump é um fora da lei. Seu Departamento de Justiça é um fora da lei”, disparou Reich, reforçando que nenhum contrato está seguro sob a liderança do republicano.

Como saída, Robert Reich defende que universidades, governos e empresas se unam para enfrentar o presidente estadunidense de forma coletiva. “A única maneira de universidades, nações, escritórios de advocacia, empresas de mídia ou quaisquer outras entidades que ele ameaça poderem se proteger dele é se unir a outras universidades, nações, escritórios de advocacia e empresas de mídia, respeitosamente — e apresentar uma frente unida, para que tenham mais poder de barganha com ele juntos do que separadamente.”

“Nenhuma organização, nenhuma pessoa, nenhum país deve jamais presumir que fez um acordo vinculativo com Trump. A arte do acordo com Trump é obter o máximo de poder de barganha possível unindo-se a outros e resistindo à sua intimidação”, conclui.

c="https://pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js">

About the author

Jornalista Dom Lele Botelho

Leave a Comment