Ipatinga- A despeito do cenário conturbado que se abateu nos primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro sobre as relações comerciais do Brasil com antigos parceiros no exterior, os investidores japoneses dão crédito ao Palácio do Planalto e esperam ambiente de negócios mais favorável. Atuando há mais de 60 anos no país, o grupo siderúrgico Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation, o maior do Japão, e um dos principais acionistas da Usiminas, propõe a criação de mecanismo bilateral para estreitar os negócios.
Às vésperas
de sua partida de volta ao Japão, na semana passada, Kazuhiro Egawa, executivo
que respondeu nos últimos dois anos pelos ativos da Nippon nas Américas, disse
ao Estado
de Minas que “os investidores esperam ambiente de
concorrência justa, na qual as ações e decisões administrativas sejam
previsíveis e oportunas”. Segundo Egawa, que teve participação decisiva no
acordo que pôs fim à longa disputa judicial do grupo japonês com seu sócio, o
conglomerado ítalo-argentino Terniun/Techint, pelo comando da Usiminas, no Vale
do Aço, a relação com terras tupiniquins não muda.
“A visão da Nippon Steel é continuar contribuindo para o crescimento da
Usiminas e da economia e indústria brasileiras.” Nesta entrevista ao EM, ele
fala dos rumos da siderúrgica mineira e dos novos tempos da Nippon a partir de
abril.
Há pouco
mais de um ano, o Sr. dizia que a Nippon esperava o retorno da Usiminas à
lucratividade, o que já ocorreu, e à posição de melhor empresa do setor no
Brasil. Quais são os planos?
Começamos o ano de 2019 com confiança. Reiteramos nosso foco na produtividade,
na boa gestão financeira da Usiminas e acreditamos no potencial da demanda
brasileira por aço. Os últimos resultados da empresa mostraram que estamos no
caminho certo. A Usiminas está preparada para atender a essa demanda. Portanto,
há espaço para crescimento neste promissor mercado, mas também queremos avançar
na sustentabilidade, nas ações de responsabilidade social, na geração de
emprego e renda e na participação ativa no mercado internacional de aço. Os
planos são de continuidade, busca de melhoria e manutenção da posição de
liderança no segmento de produção e comercialização de produtos siderúrgicos.
A Nippon
já discute a nomeação do sucessor de Sérgio Leite, em 2020, na presidência da
Usiminas, como prevê o acordo firmado com sua sócia, a Ternium/Techint?
Estamos agora nos concentrando em apoiar a gestão atual junto com a Ternium.
Nosso pensamento está focado no que é melhor para o interesse da Usiminas. Em
uma perspectiva de longo prazo, em conjunto com a Ternium, acreditamos que o
crescimento virá da parceria e colaboração entre os acionistas, bem como dos
investimentos em tecnologia de produtos e produção.
Diante dos dois anos em que o
Sr. dirigiu os negócios da Nippon para as Américas, como avalia a situação em
que deixa o Brasil e as perspectivas do país, com os novos governos de Jair
Bolsonaro e Romeu Zema?
Estamos otimistas com as novas direções que visam ao reaquecimento da economia
e à expansão do setor produtivo no âmbito regional e nacional. O Brasil é um
país com recursos abundantes e grande potencial de crescimento. É como um leão
adormecido que, para acordar, precisa consolidar melhorias no sistema
tributário, em infraestrutura e ter mais agilidade nas decisões judiciais. Os
investidores esperam um ambiente de concorrência justa no qual as ações e
decisões administrativas sejam previsíveis e oportunas. No caso dos
investidores japoneses, ajudaria um mecanismo bilateral para representantes do
governo e das comunidades empresariais discutirem como melhorar o ambiente de
negócios do Brasil e do Japão. Do ponto de vista da produção de aço, vejo o
país como tendo um grande potencial. Se compararmos o consumo de aço per capita
do Brasil com países desenvolvidos, poderíamos aumentar a produção local em
cinco vezes. Todos ganhariam, inclusive o estado de Minas Gerais.
Fonte>JEM
